A inclusão e a educação democrática: quem educa (inclui) quem?

Resolvi propor esse fórum por dois motivos. Primeiro porque estou cada vez mais convicto de que falar em inclusão é praticamente o mesmo que falar de educação democrática. Em segundo lugar, porque se fala muito no direito de todos à educação regular (o que eu concordo plenamente e defendo incondicionalmente). Por outro lado, muitos que falam desse direito se esquivam, conscientemente ou não, quando se trata de defender a necessidade de mudar a forma tradicional de ensinar para que as escolas sejam de fato inclusivas. Outros, que lutam pela mudança do paradigma tradicional de ensino, não seguem o mesmo ritmo quando se trata da chamada inclusão da pessoa com deficiência. Daí, acabam mantendo a dicotomia “iguais” de um lado e “diferentes" de outro. Nessa perspectiva, a educação democrática não cabe na inclusão ou vice-e-versa.

Que contradição!

Pelo que é exigido para cada série pré-determinada, meu filho está aquém, não responde cognitivamente o que se espera de quem tem a idade que tem. E aí retrucam: é que ele, por ter a síndrome de Down, precisa de um ensino mais significativo. Ele não pode abstrair!!!!

Mas só ele precisa ter um ensino signitivativo para sustentar o conhecimento e aprender a criar, de uma forma autônoma, o seu próprio processo de aprendizado? Será que todos aqueles que “aprendem no momento certo” estão realmente aprendendo?

Só para iniciar o nosso debate, transcrevo agora algumas frases, que considero chaves, de pessoas que vêm defendendo essa tese, não importando de onde estão partindo: da inclusão ou da educação, pois todos se conectam na necessidade da transformação.

Leiam com atenção e vamos debater:

Mantoan, Maria Teresa Égler, “Inclusão escolar: o que é? Por que? Como fazer?, Ed. Moderna, São Paulo, 2006

“A escola se entupiu do formalismo da racionalidade e cindiu-se em modalidades de ensino, tipos de serviço, grades curriculares, burocracia ..... A inclusão, portanto, implica mudança desse atual paradigma educacional (Mantoan, pg 14)

“Ocorre que a escola se democratizou, abrindo-se a novos grupos educacionais, mas não aos novos conhecimentos. Por isso exclui os que ignoram o conhecimento que ela
valoriza e, assim, entende que democratização é massificação de ensino” (mantoan, pg 15)

“O ensino curricular de nossas escolas, organizado em disciplina, isola, separa os conhecimentos, em vez de reconhecer suas inter-relações, (...) Os sistemas regulares também estão montados a partir de um pensamento que recorta a realidade, que permite dividir os alunos em normais e deficientes (...). Ignora o subjetivo, o afetivo, o criador ....", pg 16

Integração escolar: “A escola não muda como um todo, mas os alunos têm de mudar para se adaptar às suas exigências”, pg 18

Inclusão escolar: “propõem um modo de organização do sistema educacional que considera as necessidades de todos os alunos”, pg 19

“O direito à diferença nas escolas desconstrói, portanto, o sistema atual de significação escolar excludente, normativo, elitista (....) Se a igualdade é referência, podemos inventar o que quisermos para agrupar e rotular os alunos (...)", pg 24

“Os alunos do ensino fundamental estão organizados por séries, o currículo é estruturado por disciplinas e o seu conteúdo é selecionado pelas coordenações pedagógicas, pelos livros didáticos, enfim, por uma “inteligência” que define os saberes e a seqüência em que devem ser ensinados”, p. 33

“O aluno abstrato justifica a maneira excludente de a escola tratar as diferenças”, p. 34

“Não se pode encaixar um projeto novo, como é o caso da inclusão, em uma velha matriz de concepção escolar – daí a necessidade de recriar o modelo educacional vigente. (...) Infelizmente, ainda vigora a visão conservadora de que as escolas de qualidade são as que enchem as cabeças dos alunos com datas, fórmulas, conceitos justapostos, fragmentos”, p. 44


Incluir é “aproximar os alunos entre si, tratar as disciplinas como meios de conhecer melhor o mundo e as pessoas que nos rodeiam, ter como parceiros as famílias (...), predominam a experimentação, a criação, a descoberta, a co-autoria do conhecimento. Vale o que os alunos são capazes de aprender hoje e o que podemos lhes oferecer (...) em um ambiente rico e verdadeiramente estimulador de suas potencialidades.

(...) os alunos são orientados a valorizar a diferença pela convivência com seus pares, (...) pelo clima socioafetivo”, p. 45

“Há alunos – poucos, infelizmente – que rejeitam propostas descontextualizadas de trabalho escolar sem sentido nem atrativos intelectuais: eles protestam, a seu modo, contra um ensino que não os desafia e não atende às suas motivações e seus interesses pessoais (...). Não podemos imaginar uma educação para todos quando caímos na tentação de constituir grupos de alunos por séries, níveis de desempenho escolar e determinados objetivos para cada nível”, p. 51

¿ES POSIBLE CONSTRUIR UNA ESCUELA SIN EXCLUSIONES?
IS IT POSSIBLE TO BUILD A SCHOOL WITHOUT EXCLUSION?
Miguel López MELERO1


Tomei a liberdade de traduzir:

“Durante muito tempo se pensou que a educação inclusiva consistia em “integrar” crianças com algum tipo de descapacidade na escola, mas sem que isso significasse nenhum tipo de mudança da mesma e, o que é pior, sem que mudasse em nada o pensamento do professorado nem sua prática educativa”, Miguel López Melero (Projeto Roma)

AULA: “Entendo a aula como uma comunidade de convivência e aprendizagem quando se produz um intercambio de significados e comportamentos, de recordações e experiências, de sentimentos e emoções, configurando-se um espaço cultural e uma organização com pretensões comuns e com o desejo de entender-se e respeitar-se. E isso só é possível se as crianças têm a oportunidade de intercambiar suas experiências (diálogo) pessoais, de intercambiar pontos de vista diferentes, realizando atividades de maneira cooperativa e solidária e estabelecendo normas de convivência democrática entre todos e todas (buscando o entendimento) e de onde, previamente, tem que haver-se produzido uma situação de interesse e significação para fazer aquilo que desejam fazer (motivação intrínseca)”, Melero

Currículo: “romper com a cultura hegemônica da escola tradicional desejosa de desenvolver um curriculum planificado e igual para todos. É nesse sentido que desde o Projeto Roma falamos de projetos de investigação quando falamos de currículo, de onde não se parte das disciplinas e nem dos livros de textos, e sim de situações problemas, de onde as meninas e os meninos aprendem os mecanismos para descobrir a cultura através da indagação e da cooperação", Melero

"O que pretendemos com os projetos de investigação é criar uma metodologia que favoreça o aprendizado autônomo, mediante a tomada de decisões reais e o desenvolvimento de estratégias para “aprender a aprender (metacognição)".

"O trabalho por projetos de investigação requerem uma transformação da aula tanto nos agrupamentos como na concepção do tempo e do espaço. O ensinamento interativo e o trabalho por grupos heterogêneos de maneira cooperativa hão de ser a nova estrutura organizativa da aula. Esta se organizará de tal maneira que o alunado se ajude uns aos outros, fazendo com que o alunado que ‘não ofereça dificuldades’ (se é que este existe) seja um suporte importante para aqueles que sim as tenham, o professor será sempre o principal apoio em classe para todos"

"Necessita-se um novo profissional para dar sentido a esse modo de conceber a cultura da diversidade, onde o professor há que deixar de ser um profissional como mero aplicador de técnicas e procedimentos (racionalista e técnico) e se há de converter em um curioso intelectual comprometido (investigador) que saiba abrir espaços para que a aula se transforme em um lugar de aprendizagem compartilhado e autônomo, desenvolvendo sua autonomia e sua liberdade como docente comprometido com a mudança e a transformação social, ou seja, como um profissional emancipado, evitando assim ser um instrumento instrumentalizado do sistema", Melero

Pacheco, José, “Berço das desigualdades”, in Gomes, Márcio (organizador), “Construindo trilhas para a Inclusão”, Ed. Vozes, Rio de Janeiro, Petrópolis, 2009

“Tratando os ‘desiguais’ como se fossem ‘iguais’, em ‘pé de igualdade’, como geralmente acontece, não apenas mantemos a desigualdade, como a aumentamos”, (Pacheco, pg 25)

“Há mais de meio século, Élise Freinet colocava a seguinte questão: ‘como será uma aula onde os alunos não farão, todos ao mesmo tempo, o mesmo?’ (...). Preocupava-se com a imposição de ritmo único a alunos que denotavam diferentes ritmos”,

“A ‘diferença’ é normal, não é deficiente. A sociedade é formada por identidades plurais, particularidades, especificidades. Anormal é pautar o trabalho escolar pela igualdade. Deficientes são as práticas escolares que assentam no pressuposto de que somos todos iguais, que homogeneízam o que é diverso, mascarando ou negando as diferenças ....

Para que se concretize a inclusão é indispensável a alteração do modo como muitas escolas estão organizadas”, pg 26

“Quando se deixará de centrar o problema no aluno, para se centrar numa gestão diversificada do currículo? (...) Por que não mudam as escolas? É porque o que está em causa não é a adoção do método A, ou do método B. O que está em causa é a necessidade de as escolas reconfigurarem suas práticas, para atenderem a diversidade”, p. 27

Educar ....

 Não é impor aos alunos um método expositivo, onde todos escutam enfileirados o mesmo conteúdo livresco
 É deixar de ensinar a todos como se fosse um só

Guga Dorea, “A microsociologia e a educação para todos”, Revista Linha Direta

Todo aluno, em uma sala de aula, trás uma realidade única em função de seus encontros, fora da escola, com outros seres e lugares. São marcas, muitas vezes, de discriminação e humilhação. Diante disso, o prioritário para a microsociologia é detectar o que Deleuze e Guattari chamaram de multiplicidade de fluxos, muitas vezes imperceptíveis na esfera macro, gerado no transcorrer dos encontros pai-filho, família-escola e professor-aluno, entre outras relações complexas e não lineares como é a nossa sociedade.
Desses encontros, estarão sendo engendrados modos de vida singulares que inclusive ultrapassam os limites do pedagógico,

EDUCAR NÃO É ACOMODAR
A UM “HOJE NORMALIZADO”, Paulo Freire

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Respostas a este tópico

Realmente o assunto inclusão é um assunto que me angustia bastante. Por que me irrita. Me irrita o próprio fato de termos que falar em incluir na escola, quando a escola é lugar de crianças e adolescentes, e crianças e adolescentes são todos, sem excessão.
Concordo que enquanto tivermos a escola como sempre foi e a figura de um aluno idealizado, padrão, que siga a linearidade e a falta de ligação entre os conteúdos da escola seriada, ainda teremos que falar em inclusão, infelizmente.

Gostei muito do texto de Miguel Lopez Melero, pois apresenta uma idéia de semelhante ao que fazemos na minha escola.

Trabalhamos com ciclos de formação (não confundir com progressão automática) onde os alunos são organizados pela fase de vida (infância, pré-adolescência e adolescência).
Durante três anos um grupo de professores gere os caminhos destes alunos rumo ao conhecimento, através do trabalho com projetos de ensino e de aprendizagem, grupos mistos e de nível, docência compartilhada.

Não somos a escola que sonhamos, mas estamos fazendo algo para que cada um, em sua individualidade, aprenda e sinta-se parte de um coletivo, formado por pessoas, seres humanos, e não alunos bons, médios, ruins... etc.

Para finalizar gostaria de dizer que é possível fazer diferente, e os professores é que tem este poder.
Como já afirmei em outro fórum, a mudança é de baixo para cima, e não de cima para baixo, é o que acredito.
Abraços a todos
Tatiana Schuhl dos Santos
Querid@s Guga, Tatiana e tod@s.

Pensei em "pinçar" das frases já "pinçadas" pelo Guga alguns trechos que se refeririam mais fortemente aos princípios propostos na Carta de Princípios do núcleo SP desta rede. Foi impossível. As idéias de Mantoan, Melero e Pacheco selecionadas pelo Guga são todas - na minha opinião - igualmente importantes e mutuamente relacionadas àqueles princípios.

Pego apenas a oportunidade da resposta da Tatiana - sobre ser "... possível fazer diferente, e os professores é que tem este poder. Como já afirmei em outro fórum, a mudança é de baixo para cima, e não de cima para baixo ..." - para reforçar o pensamento do Melero sobre o que cabe a nós, educadores:

"... o professor há que deixar de ser um profissional como mero aplicador de técnicas e procedimentos (racionalista e técnico) e se há de converter em um curioso intelectual comprometido (investigador) que saiba abrir espaços para que a aula se transforme em um lugar de aprendizagem compartilhado e autônomo, desenvolvendo sua autonomia e sua liberdade como docente comprometido com a mudança e a transformação social ..."

Voltarei a isto em outra oportunidade. Por ora, acrescento apenas que trata-se disso mesmo, a mudança não depende "do que farão" para a transformação da educação (e da sociedade), mas antes "do que faremos" para a nossa própria transformação (como educadores e pessoas).
____________________________________

PS. Só para manter o link entre as discussões que vão (ou deveriam ir) se desenvolvendo, indexo abaixo uma pequeníssima amostra dos artigos (112) e fóruns (19) já publicados, pelo Guga e outros, que podem contribuir para esta discussão específica:

- Paulo Freire e a educação para todos - artigo de Guga Dorea, em 29/03/2009
- Incluir sem exclusão - fórum de Catiani Regina, em 09/04/2009
- Tensão entre exclusão e inclusão da pessoa com deficiência - artigo de Guga Dorea, em 13/04/2009
- A microsociologia e a educação para todos - artigo de Guga Dorea, em 19/04/2009
- O ensino da Filosofia e da Sociologia: contribuição para a inclusão... - artigo de Guga Dorea, em 19/04/2009
- Muito legal esse texto do Maturana - artigo de Guga Dorea, em 11/05/2009
- Palestra: "Uma outra escola é possível" - Terry Wrigley - artigo de Guga Dorea, em 15/07/2009
- Uma educação lúdica e diferenciada é possível??? - fórum de Valeria Drigo, em 28/07/2009
- Papel do especialista nas escolas - fórum de Regina Milone, em 31/07/2009
- Resgatando uma infância perdida - Notícias do RIGHETTI - artigo de Guga Dorea, em 14/08/2009
- Quando o logos é na práxis - artigo de Mark Thackeray (Luiz de Campos Jr), em 14/09/2009.
- O que é educar?- Revisitando Maturana - artigo de Luiz de Campos Jr, em 22/09/2009

Caro Guga,
Como sempre, vc traz com bastante profundidade e amplitude um tema tão importante como é o da inclusão. Que bom!
E como é difícil lidar com essa questão no dia a dia escolar... Vou partir da minha experiência profissional, pra tentar contribuir com esse debate aqui.
Por exemplo, procuro discutir e pesquisar o assunto em grupos de estudos com os professores. Sou totalmente a favor da inclusão! Já propus o aprofundamento da questão várias vezes mas, no entanto, se não temos "fórmulas" para lidar com cada "diferença" (como se isso fosse possível!), já somos acusados de "teóricos" e o desinteresse toma conta. E nem adianta muito tentar mostrar que diferentes todos somos, já que cada um é único, na verdade.
A cobrança e a crítica dos professores é de que tenham estrutura, apoio, conhecimento e, de preferência, outros profissionais que atuem junto com eles, em sala de aula, para auxiliarem no trato com crianças e adolescentes com necessidades especiais, pois, do contrário, a aprendizagem deles não se realizará e a inclusão acontecerá apenas no discurso.
Em grande parte, Guga, acho que eles têm razão. Na prática, o que acontece é uma exclusão cada vez maior. O aluno com necessidades especiais é "jogado" numa turma e o professor simplesmente não sabe como lidar com ele, como estimulá-lo e, em geral, ainda tem que lidar com o problema das salas lotadas e mal equipadas, o que praticamente impossibilita, muitas vezes, um atendimento individualizado, respeitando o ritmo de cada aluno. Esse é um dado de realidade, em grande parte de nosso país, infelizmente.
Mas, por outro lado, concordo um pouco com Tatiana e acho que parte das mudanças já poderia estar vindo dos próprios professores que, ao repetirem esse discurso da "falta de estrutura pra trabalhar", infelizmente acabam se acomodando e se fechando, esperando que as soluções venham de cima. Não acredito que virão. As mudanças na Educação acontecem muito lentamente e vêm de baixo, da união de quem trabalha com ela. Mas percebo que não há união nessa questão da inclusão (como em várias outras), pois realmente as pessoas se esquivam, muitas vezes, ao tentarmos aprofundar o assunto. Acho que muitos nem concordam com ela, embora fiquem sem graça de admitir.
Indo um pouco além, observo que a escola sempre se alimentou da exclusão de toda e qualquer diferença, a começar pela obrigatoriedade dos uniformes escolares, continuando pela formação de turmas através das faixas etárias, a separação e fragmentação do conhecimento em disciplinas estanques, entre outras práticas que procuram abafar a originalidade, a criatividade, o espírito crítico e o próprio auto-conhecimento de cada aluno. E o que vejo é que isso não acontece só em relação aos alunos; os profissionais de educação que ousam ser "diferentes" da maioria, da massa não-pensante, são discriminados e acabam excluídos também, muitas e muitas vezes. Por isso, muitos acabam parando de trabalhar nas escolas e vão trabalhar nas universidades, por exemplo.
Vigiar e punir. Ainda é assim que grande parte das escolas funciona.
Há um imenso abismo entre o que discutimos no meio acadêmico e a realidade cotidiana escolar.
Estou convencida de que uma educação democrática, onde a inclusão poderia, aí sim, acontecer de forma efetiva (concordo com vc em relação a isso), depende de uma mudança profunda de mentalidades e práticas que ainda imperam nas escolas e que, pelo que tenho acompanhado, ainda estão muito no início, e, mesmo assim, em poucos lugares, infelizmente.
Os preconceitos e o medo são enormes, as práticas discriminatórias continuam, o apego a formas antigas de se exercer a autoridade e de se organizar o espaço escolar também, assim como a falta de compromisso ideológico em se fazer realmente uma educação de qualidade para todos. No discurso todos querem isso, mas na prática ficam esperando que caia do céu e que não tenham que rever e mudar nada em suas próprias posturas para que isso aconteça. Enfim... O quadro é feio, complexo e difícil de ser transformado, mas precisamos insistir. Muitas vezes não sei exatamente como, mas insisto mesmo assim.
E continuemos o debate...
Abraços a todos,
Regina.
Também penso como o Guga Dorea que falar em inclusão é praticamente o mesmo que falar em Educação Democrática. Luto por isso e defendo essa forma de ver a educação. Sou professora de Educação Física escolar, já fui para essa área por não gostar de na minha infância ficar sentada em uma cadeira por quase quatro horas escutando um professor e escrevendo, a educação é movimento, é se expressar e entender essa expressão e não prisão em uma mesa com cadeira com alguém dizendo o que é certo ou errado mas sem nos fazer pensar em o que é certo ou errado, e que isso faz parte da nossa vida e das nossas escolhas. A educação é muito mais que isso aos poucos estou mudando a nossa realidade comecei por eu mesma mas ainda me frustro quando há os conselhos de classes e me perguntam como vai a turma se estão aprendendo "direitinho" isso me emburrece, parece que não sei mais nada. Como é que eu vou dar a resposta se cada um é único e aprende de uma maneira diferente e no seu tempo. E para completar são três conselhos por ano em nossa escola mas desde o primeiro as outras professoras da turma que se acham donas das crianças pois ficam mais dias da semana com as mesmas já dão a entender quem irão reprovar no final do ano. Isso me indigna, falo, argumento, as vezes até parece que vão mudar, no próximo trimestre é a mesma história, enquanto isso eu já estava investigando uma forma de ajudar essas pobres crianças, sem falar nos casos especias, que elas dizem que só não vão reprovar se tiver um laudo dos médicos que amparem esses educandos mas como essas crianças irão aprender se falta sensibilidade e mudança na forma de avaliar e ver a educação. Educação da diversidade, da democracia e para a vida. A educação está mudando mas tem pessoas que ainda não perceberam isso.
Hj vejo debater muito a questão "inclusão" de alunos com necessidades especiais.
"Como fazer para esse aluno ser incluido."
"Como trabalhar com esse aluno."
"Como prepara um material pedagógico diferenciado."
Mas em nenhum momento vejo a preocupação com a inclusão como um todo, não vejo ser trabalhado a preparação da sala de aula com alunos "normais"ao meio de vida do deficiente, muitos acham que incluir é somente colocar num canto da sala, alfabetizar e ter resultados pré estabelecidos.
São poucos que pensão em uma inclusao como todo, são muitos professores que esperam ter uma receita para trabalhar com esses alunos e acham que os livros didáticos vão ser suficiente para montar essas receitas.
Acredito que a inclusão vem para modificar nosso modo de pensar e agir com nossos alunos, teremos que humanizar nossas aulas, nos envolver mais e desenvolver uma pedagogia diferenciada, uma pedagogia afetiva. É possivel, nós professores modificar essa cena escolar, porque somos a base de formação de qualquer cidadão.
Quero ressaltar também, a importância da inclusão dessas crianças num meio social, para que possam se desenvolver como cidadão, porque não vai adiantar somente uma inclusão dentro da sala de aula, se fora dela essas crianças e adolescentes não serem incluidas no seu meio social escolar. Precisamos debater esses questão, que poucos se preocupam.
Adorei a proposta desse Forum, pois acredito na inclusão como forma de resgate da dignidade humana de todos nos.
Abraços a todos.
Olá Tatiana, Regina, Liege, Ignes, Luiz e todos aqueles que eventuamente estejam acompanhando esse forum

Como eu sei que a "irritação" da Tatiana não é comigo (risos), comungo com sua irritação e fico feliz de saber que uma escola diferente é possível e não apenas utopia. No entanto, o que se vê por aí não é isso. O modelo ainda é o tradicional e a maioria das escolas ainda divide os seus alunos em "iguais" de um lado e "diferentes" de outro. Concordo também com a Regina quando ela diz que os professores se sentem cobrados e não tem apoio externo. Por outro lado, muitos dos que falam que não estão "preparados" para lidar com os "alunos com necessidades educacionais especiais" precisam, na verdade, mudar o seu olhar em relação ao Outro,seja ele quem for. Temos é que desconsruir uma cultura excludente e um modo de ensinar que idealiza um aluno médio.O que eu quero dizer é que não uma "fórmula" para incluir. O que existe é como se enxerga o outro, como vislumbramos o que é supostamente diferente de nós.
Todo esse debate, acredito eu, vai esquentar no próximo ano. E é muito bom que isso aconteça, pois muitos andam dizendo prematuramene que a inclusão não está dando certo quando, na prática, ela só está dando os seus primeiros passos, ainda está engatinhando. Enquanto em um congresso de educação não se falar de incusão e em um de educaçao inclusiva não se falar da educação, ainda não se comprreendeu o que é inclusão e o que é educação para todos, continuarems a selecionar quem pode ou não ser incluído.
Conheço também algumas escolas que procuram não selecionar, mas por não romperem com o paradigma das disciplinas estanques não conseguem potenciar o aprendizado daqueles que não acompanham os livros.
Só para esquentar o debate segue abaixo o que eu considero algumas barreiras para a inclusão

- Considerar o diagnóstico como uma “vara de medir”, uma etiqueta ou carteira de identidade fixa, concebendo ele como uma porta de chegada e não de saída para a “indagação”, o “descobrimento” e a “busca”,

- “Integrar” crianças na escola sem nenhuma modificação no contexto escolas e na prática educativa do professor

- Continuar a dividir os alunos entre os que podem e os que não podem aprender, hierarquizando inteligências, como se ela fosse dada geneticamente e não construída socialmente.

Espero que esse debate continue, ainda mais com falas tão preciosas e instigantes como é a de vocês..
Abraço a todos, Guga
A inclusão é uma pratica democrática e a educação democrática inclui (verbo intransitivo); muito proficua reflexão essa daqui em que acabo de entrar, inluir : democratizar, bom ler o que vcs escreveram, e nas entrelinhas está a transformação d visão, formação, educação estanques que como muito bem disse a Regina , tão veementemente zelam as escolas desde o inicio. E quem sofre com isso? TODO MUNDO! Dá pra acreditar? Meu deus, porquê?Será que é medo? Será que romper com ciclos viciosos, com tradições é realmente tão arriscado, será medo? Por que não mudamos? Sabemos o que temos, sabemos o que precisamos ter, sabemos male mal um possível caminho, e...? Seguido a esta angústia, me vem um consolo ( como involunt´aria tentativa de equilibrio psiquico), algo dito por alguém mais velho com certeza, "muito já mudou, antigamente não havia liberdade, nem para o professor nem para o aluno e que estamos caminhando" . Será?
Vocês acham que nossos avanços vão bem?

Esta reflexão bate em cheio no ponto nevralgico do confronto entre teoria e pratica, sabemos da necessidade da inclusão, sabemos tanto que mesmo quem não concorda com ela tem vergonha de falar, é como jogar pedra na cruz, e junto com isso temos a teoria em massa para validar a necessidade, e aí vem tbm a universidade. Mas e a verdade? A verdade da escola, aí vem toda a prática impossibilitando a teoria, para não dizer, fazendo dela uma mentira. Estudei 4 anos. Trabalho na escola como professora a quase 3 anos. E o confronto entre teoria e prática é um ponto chave para mudarmos o que queremos, é claro, precisamos diminuir a distancia entre as duas, para chegar perto mais perto do nosso céu. E não deixar a pratica da escola engessada engessar a nossa pratica, sim porque como professores transformadores tbm somos excluidos, e eis o grande pesadelo para um ser tao gregario quanto o humano. Medo da diferença,. da exclusão. Castigo maior: ser diferente. E aí como disse a Regina fugimos para a universidade, diferente no meio de diferente é igual. Na igualdade não encontramos conflitos.

Para usar um pouco da pratica do dia a dia na ilustração dessa discussão teórica e assim no meu exercício diário , tentar diminuir a distancia entre teoria e prática, vou comentar brevemente o ocorrido na minha escola. Recentemente no último conselho de classe, a diretora estava convencendo a todos que desistissem de reprovar os alunos fadados ao fracasso escolar pois eles não vão longe, não vão ser doutores, e ao continuarem na escola roubam atenção dos que vão ser doutores. Reparem que imediatamente quando desistem de reprovar esses alunos também desistem de ensinar, não precisava ser assim, mas no presente sistema, como as coisas são pintadas, é. Que tudo passe em brancas nuvens. Ninguém quer mexer muito em nada, como disse minha filha de 11 anos: o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende, uma inclusão de brincadeira, uma democratização de faz de conta. E a maioria concorda e com isso TODOS perdem. E a mudança vem de baixo ou vem de cima? Eu acredito num sentido dialético, como uma conjunção de várias mudanças pequenas tanto em baixo como em cima, e se em baixo e em cima realmente existirem...pois aí está uma ilusão humana. De qq forma, a união é imprescindível, e nisso fico muito grata e feliz por ter este espaço aqui e encontrar Guga, Regina, Luís, Tatiana entre tantos outros tão maravilhosos, para poder me unir e me fortalecer. Porque só com muita força, mas é muito mais fácil do que parece.(espero eu..rsrsrsrs)
So para acrescentar a reflexão, acabo de ler, lembrei deste forum na hora:
"Os professores são suficientemente inteligentes para compreender que cada ser humano é único e irrepetivel. Por que continuam agindo como se não compreendessem?" de José Pacheco
Caros amigos conspiradores,

Concordo com Line, que fez ótimas colocações e, pensando bem, acho que ela ampliou o debate ao falar do sentido dialético "como uma conjunção de várias mudanças pequenas tanto em baixo como em cima, e se em baixo e em cima realmente existirem...pois aí está uma ilusão humana."
Obrigada, Line!
Também acho que a união é imprescindível e, por isso, participar dos Românticos Conspiradores tem sido de extrema importância e valor pra mim, já que esse tipo de troca quase não acontece nas escolas por onde tenho passado, atuando como pedagoga.

Quero contar uma experiência de sucesso sobre inclusão: a escola onde meu filho estudou, onde minhas irmãs trabalham, onde meus sobrinhos estudam e onde também já prestei alguns serviços, tem um histórico de sucesso relacionado a inclusão. É uma escola particular, da zona sul do Rio, considerada "diferente" por muitos, pois desde o seu início funciona de forma realmente progressista, democrática, libertária, consciente e criativa. Chama-se EDEM: Escola Dinâmica de Ensino Moderno. Lá a inclusão é estimulada e acontece há muitos anos. Acompanhei vários casos, inclusive nas turmas em que meu filho, agora com 17 anos, estudou. Ele agora está na UFRJ, fazendo Engenharia Química, sendo que já passou pra faculdade, - a melhor da área que escolheu, diga-se de passagem -, com apenas 16 anos, o que póe por terra outro preconceito muito comum por aí: o de que escolas muito "liberais" e "democráticas" não tem um ensino "forte" em relação a "conteúdos" que serão necessários depois para a vida profissional de seus alunos.

Preconceitos, preconceitos e mais preconceitos!

Quando acreditamos e arregaçamos as mangas, podemos fazer o "diferente" dar certo sim! Podemos levar pra prática diária a compreensão de que, na verdade, todos somos "diferentes" e que isso é algo positivo, que não deve ser abafado como foi pelo ensino tradicional durante anos e como ainda é, infelizmente, em grande parte das escolas.
Eu escolhi tentar fazer isso no ensino público e tenho penado... Mas ainda não desisti não!
E tenho me deparado, a todo momento, com diretoras com a mesma postura dessa que a Line citou. Para essas pessoas, o aluno que aparentemente "não quer nada", é "difícil" ou muito "diferente" tem mais é que sair da escola! E, na categoria "diferentes" entram os "inclusos" também, embora os profissionais das escolas não admitam abertamente isso, pois seria politicamente incorreto ser contra a inclusão hoje em dia... E muitos ainda dizem que, "pelo bem das crianças especiais", seria melhor que elas tivessem outro tipo de estudo, em outro lugar, onde pudessem receber "atenção especial"!

Exclusão, exclusão e mais exclusão!

E, nesse quadro, a inclusão de alunos com "necessidades educacionais especiais" (não gosto desse termo!), acaba acontecendo só no discurso realmente, com honrosas e raras exceções, como a da EDEM, que citei acima.

Mas sigamos com o debate, para nos fortalecer!

Beijos a todos,
Regina.
Ôi amigos

Fiquei muito contente em abrir esse forum e mais contente ainda com o retorno de vocês. Gostaria áté que mais pessoas entrassem no debate. No entanto, essa valiosa discussão me instigou a falar como pai. Apesar de ser também educador, meu olhar é de quem está de fora e não é nem pedagogo e nem psicólogo, Como vocês sabem sou sociólogo. Costumo ouvir bastante de educadores em geral que a inclusão vai dar ou não vai dar certo. Que ela é possível ou impossível. Ouço também de especialista o que falta para a inclusão e o que falta para que meu filho seja realmente incluído. A maioria se esqueçe, no entanto, que os verdadeiros especialistas são os pais. Nós é que vivemos a inclusão e a realidade de nossos filhos 24 horas por dia. Muitas vezes não é nada fácil, apesar de instigante. Não é fácil, por exemplo, você tratar os seus filhos de uma forma igual, como humanos que são, e vê-los também e tratá-ls também como diferentes, como somos todos aliás.
Lá fora, entretanto, minha filha é tratada, na maioria das vezes, como "igual" e meu filho como "diferente". A Joyce vive, em seu dia a dia, esses dois modos de ver a vida, o que gera nela, é natural, uma confusão muito grande. Nós mesmos, enquanto família, vivemos constantemente esse dilema teoria e prática. Quantas vezes me vejo fazendo diferente na prática o que eu penso na teoria. A diferença é que, na maoria das vezes, eu me dou conta e logo procuro refazer a prática. O contrário também é verdadeiro. Muitas vezes a teoria não bate com a prática. E aí temo que reformulá-la.
Estou em contato com a clínica escola da PUC de São Paulo para trabalhar umas questões no Thiago. Espero não me decepcionar, como tem acontecido muito aliás. Mas eles estão partindo de um outro caminho. Primeiro estamos tendo uma série de encontro com os especialistas (psicólogos) porque eles querem saber, o mais profundo possível, como é a nossa dinâmica familiar, o nosso contexto social. Depois eles vão querer saber como estão nossos filhos na escola e, só depois, eles vão conhecer o Thago. Acho que o segredo é esse. Temos que desfocar o foco da criança em si como se ela fosse o problema e focar no contexto familiar, social e escolar. E a partir daí talvez começarmos a mudar as coisas.
Eu ia falar sobre algumas questões (positivas e negativas) da escola de meus filhos, mas vou deixar para depois. Por enquanto, deixo o seguinte depoimento. Hoje eu não consigo mais ver a minha vida sem a presença do Thiago e também da Joyce. São eles, os seus interesses, desejos, necessidades, potencialidades, medo, alegrias e tristezas, que me instigam a pensar e a continuar a tenta mudar a mim mesmo e a sociedade. Se a escola começar a ver a riqueza da diversidade que elas tem dentro da sala talvez as coisas começem a mudar de fato. Parafraseando o Pacheco, o anormal é ver todos os alunos como se fossem um só. O normal é a diversidade. Abraços fraternos a todos vocês, Guga
Nossa, Guga, que lindo! Comovente mesmo...
O amor que temos por nossos filhos é o mais transformador desse mundo, e digo isso sem medo de parecer "piegas" ou algo assim. Sou sentimental mesmo!...rsrsrs.

Acho que falta amor, conhecimento e vontade de aprender para a inclusão dar certo, acima de qualquer teoria. É preciso acabar com essa vaidade boba de achar que estamos "ajudando" o aluno incluso, por exemplo, pois, na verdade, muitas vezes é ele quem está nos abrindo mil portas e, com isso, nos ajudando muito mais!

"De perto ninguém é normal"!
Mas, se for pra falarmos em "normalidade", concordo com vc: o normal é a diversidade!!!
Quando puder, nos conte mais sobre o trabalho da clínica escola onde está levando o Thiago.. Parece ser realmente um trabalho excelente!

Grande beijo,
Regina.
Ôi Regina

Também acho que não é "piegas" falar em amor aos filhos. E também acredito que temos é que romper com a idéia de que existe um modelo de normalidade, pois esse modelo é fictício. Quanto à clínica escola da PUC a minhas impressões continuam muito boas depois de mais um encontro, ainda sem o Thiago. Eles querem conhecer com maior profundidade como é o contexto social no qual o Thiago está inserido antes de conhecê-lo. Por enquanto é isso. Na próxima semana teremos mais um encontro. A idéia é construir junto à família um projeto de parceria. Mais para frente, poderei falar mais sobre esse projeto. A pergunta que eu deixo, dando continuidade inclusive à questão apresentada pela Line, é como transformar nosso atual modelo de ensino a partir do pressuposto de que nenhum aluno é igual ao outro, além do que ninguém aprende do mesmo jeito e no mesmo tempo. Esse é o grande desafio se quisermos realmente uma escola sem nenhuma exclusão. Como lidar com as singularidades sem perder de vista o coletivo?. Um grande e fraterno abraço, Guga

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