Acabo de chegar da palestra de Edgar Morin no SESC. Animada, mas com pouquissimos tempo, quero compartilhar algumas idéias. Peço desculpa por serem muito resumidas (são só citações), mas fica a promessa de uma reflexão.

Tb convido outras pessoas que foram à suas palestras a escreverem nesse espaço.

Tema: Pensar o Sul.

 Nunca tivemos tanto conhecimento sobre o homem, e nunca soubemos tão pouco sobre ele – porque o conhecimento é fragmentado e disperso.

 Para o ser humano é difícil viver sem o futuro. Antes, havia a idéia de futuro idealizado e passado sombrio. Hoje o futuro é sombrio. Quando a angústia do futuro está no presente, buscamos no passado uma resposta.

 Todo ser humano é igual em sua origem filogenética – todos sentem, riem, choram... Toda nação tem música, mas as músicas são diferentes. Mesmo em pequenas tribos, as pessoas são diferentes uma das outras.

 O tesouro da humanidade é a diversidade humana

 A crise da humanidade é a humanidade

 O interesse econômico (pensamento do norte) empobrece o ser humano.
 A poesia é comunhão – estar junto – e está sendo invadida pela prosa – perda da solidariedade.

 O individualismo trouxe a autonomia, mas veio acompanhada de egoísmo que gera a degradação da solidariedade e responsabilidade, isso é a degradação ética.

 O ser humano é máquina, funcionamos a 37 graus, mas não somos máquinas triviais. Toda ação e todo pensamento tem uma emoção vinculada. Não existe razão sem paixão. Mesmo quando um matemático calcula (razão) há paixão pela matemática.
 O pensamento do sul é a poesia da vida – é a fraternidade que pode reformar a ética –que é a busca da verdade da existência humana.

 As catástrofes são prováveis, mas não certezas. Podemos ser otimistas e formar o princípio de esperança, sem promessas nem certezas.
 A criatividade é humana. Existem “células troncos” adormecidas em todas as sociedades que podem ser despertadas, mas não sabemos como.

 A metamorfose é se auto-construir com novas capacidades a partir do que já é. Há uma auto-destruição para vir a ser. Na metamorfose, não eliminamos o que fomos, e sim o transformamos.
 Estamos no início de uma idéia nova, por isso modesta.
 Metamorfose vai intervir num caminhar lento. É preciso mudar de estrada, de caminhos, ramificar.

Provérbio budista: “a estrada não tem portas e milhares de vias conduzem a ela”

Exibições: 367

Responder esta

Respostas a este tópico

Olá Carla e demais RCs,

Eu assisti à palestra do Edgar Morin no Rio, era seu aniversário de 88 anos!
Pelas anotações da Carla, a fala foi muito parecida com a que ele fez em SP. O tema era o mesmo, "O pensamento do Sul". Eu, animado pela atitude da Carla (eu estive pensando...se não fosse este tópico eu acho que minhas anotações jamais sairiam do caderninho), também colocarei as minhas anotações esparsas com as dela para ajudar a construir um opaco mosaico do que foi falado. Devo lembrar que são anotações esparsas e imprecisas, assim como as da Carla. Morin falou em francês e havia tradução simultânea. Sendo assim, há de se lembrar também que algo do que ele falou também se perdeu na tradução.


* "A noção de sul é relativa". Nesse momento, Morin deu alguns exemplos como estes: "O nordeste é sul em relação à América Central. O sul da Europa está ao norte da África." (falou também do próprio conceito de norte e sul).

* Falou que o homem problematiza as coisas. A nossa existência, os deuses, (deu muitos exemplos que me escaparam), falou em problematizar e re-problematizar o próprio instrumento da problematização, a razão.

* "Estamos em um período de desmedida (falou da noção de família, que já não é mais a mesma de antigamente, e de outros exemplos).

* "A globalização é na verdade uma ocidentalização"

* O progresso é ambivalente pois o motor do progresso (ciência, tecnologia, economia...) é ambivalente. Disse algo como que antigamente se pensava que o progresso traria somente coisas boas. Disse que no entanto, o progresso também pode trazer coisas como a bomba atômica, entre outros que não anotei.

* "O tesouro da unidade humana é a diversidade e o tesouro da diversidade é a unidade" Falou um pouco sobre a importância de haver a diversidade. Falou das diferentes culturas.

* Podemos dizer que hoje existe o Homo economicus, aquele que pensa somente no que é conquista pessoal e é cego para tudo aquilo que não é pessoal, e isso destruiu a solidariedade e a responsabilidade social.

* "A racionalidade fechada produz uma irracionalidade total". Falou dos especialistas que deixam de pensar o global.

* "A lógica do Norte é cega para o sul". Morin então disse algo como que o sul muitas vezes aceita passivamente a lógica que vem do norte.

* A missão do pensamento do sul seria lembrar das qualidades poéticas da vida. Morin, nesse momento, lembrou de uma frase de Hördelin: "Poeticamente, o homem habita a terra". Disse então que para ele (Morin), vivemos poeticamente e prosaicamente. Sendo assim, o pensamento do sul deve dialogar com o pensamento do norte, unindo a poesia com a prosa.

* " Não há razão sem paixão e que não há paixão sem razão".

* "Essa nave espacial que é a Terra está na noite, na neblina, provavelmente na direção da catástrofe".

* Na história humana o improvável ocorreu, como por exemplo a resistência de Atenas ao império Persa. (Morin falou um pouco sobre o conflito).

* Falou em restaurar uma esperança na improbabilidade. Esperança que renasce da esperança.

* Existem capacidades de criação dormindo na sociedade, mas que podem acordar na crise.

Sua frase final foi:
* O planeta está decretado à morte ou à metamorfose. Devemos procurar os caminhos que condizem à metamorfose.




Infelizmente, após a palestra, não abriram para perguntas.

Alguns pontos que eu destacaria são a necessidade de um diálogo entre a prosa e a poesia. Que a vida não é somente poesia nem somente prosa. Também diria que no norte há muita poesia (ele não falou nisso, e isso me incomodou). Sua fala foi bastante generalista - o sul tem poesia e o norte tem prosa - , no entanto, eu acredito que ele tem um embasamento muito grande sobre tudo o que falou, apenas isso não foi possível de ser visto em uma fala de 60 minutos.
A frase que eu mais gostei foi " a globalização é na verdade uma ocidentalização".
Olá Carla, Thiago e demais conspiradores que estiveram ou não em algum evento comemorativo do Edgar Morin

Eu estive na Livraria Cultura em São Paulo no ato de comemoração dos 88 anos do Edgar Morin. Acredito que essa frase, que está no livro dele "Terra Pátria" resume bem toda a fala dele:

"Só quando nos tornarmos verdadeiramente cidadãos do mundo, ou seja, cosmopolitas, é que seremos vigilantes e respeitadores das heranças culturais e compreensivos face às necessidades de revitalização.

É por isso que assumimos essa palavra cosmopolita que significa (literalmente) cidadão do mundo e (concretamente) filho da Terra - e não indivíduo abstrato que perdeu todas as raízes. Desejamos o desenvolvimento de redes de tecido planetário, apelamos às mestiçagem, nas condições em que é simbiose e não usurpação de substancia de uma civilização por outra".

Não foi propriamente uma palestra como as anteriores. Foi mais uma homegagem em que outros falaram sobre ele edepois houve o lanãmento do livro

No entanto, eis agora alguns pontos que me tocaram em sua curta fala:

- É por ser de origem judaica que consigo compreender a opressão vivida pelos palestinos.

- Cada cultura, incluindo a ocidental, tem suas ilusões, qualidades e superstições

- A ilusão do progresso geroiu catástrofes

- Não temos de educar sendo paternalistas. Temos de receber, compreender, sendo fraternalistas

- Apenas respeitar as diversidades é pura abstração

- Trata-se de ligar a unidade à diversidade

- Somos todos humanos, mas todas as pessoas são diversas

- Cada um de nós possuí dentro de si todas as idades da vida

- Sabedoria não é uma vida unicamente racionalista. Não existe uma razão pura e fria. Os matemáticos tem amor à matemática.

- Sabedoria é saber religar razão à paixão

- Poesia da vida: oposição às coisas da vida que não nos dão prazer, romper com a organização mecanicista da vida

- Mas nuca esquecendo a razão

"Aqui estamos pois, minúsculos humanos, sobre a minúscula película de vida que rodeia o minúsculo planeta perdido no gigantíssimo Universo, que talvez seja ele também minúsculo num proliferante pluriverso", Edgar Morin, "Terra Pátria", pg 51





-
Ola Thiago, Guga e todos interessados nesse tema

Foi citado pelo Thiago e Guga uma frase do Morin que tb me intrigou..

O tesouro da humanidade eh a diversidade, e o tesouro da diversidade eh a unidade.

O que vcs entendem dessa afirmacao?

abracos
(obs: me desculpem, mas estou com teclado sem acento)
Olá a todos

Acredito que a útlimoa fala do Mrin transcrita por mim de como somos mínúsculos de algo bem maior seja uma pista para pensarmos no que, de uma forma bastante pertinente, intrigou a Carla, Que tal mais gente entrar nesse debate?

Abços
Olá Guga, Carla, Thiago e tod@s.
Também estive presente no bate-papo em homenagem ao Morin que aconteceu na sexta (17) aqui em São Paulo. Quero destacar que no auditório lotado encontrei vários RCs, dentre os que tive contato ou que vim a saber que lá estavam, encontram-se o Guga Dorea, a Maria Teresa, Rosinha, Edivan e o André Stangl.
Foi realmente uma homenagem ao professor, com a fala de vários de seus colaboradores e continadores de suas idéias no Brasil, onde sobrou pouco tempo para a fala do próprio Morin. Seguem algumas fotos:

Identifico na foto o Prof. Edgard de Assis Carvalho (PUC/SP, com a mão no queixo), José Xavier Cortez (da Editora Cortez, ao lado esquerdo de Morin) e o professor Humberto Mariotti (da Business School São Paulo, na ponta).



Morin autografando o exemplar de "Edgar Morin Em Foco", da RC Rosinha.
OI Guga,

Voce poderia explicar melhor essa ligacao que vc fez?

Eu pessoalmente nao gosto de pensar que somos pequenos perante algo bem maior.... me soa algo de valor
Oi Carla,
Na breve fala do Morin, me chamou atenção ao destaque que ele fez daquele tópico que ele considera mais importante (sic) de todos os que foram tratados no seu "Os Sete Saberes para a Educação do Futuro", qual seja: Ensinar a compreensão humana!

Ligando a isso, quero colocar a frase citada por você como anotei em minha agenda (tem uma "sutil" diferença das anotadas pelo Thiago e por você):

"O tesouro da unidade humana é a diversidade e o tesouro da diversidade humana é a unidade".

Formulada assim (se anotei corretamente), o significado expresso ganha, para mim, sua real dimensão. De maneira muito empobrecida, pode ser assim interpretada:

A unidade humana (espécie) compreende (abrange) a diversidade (multiplicidade) dos indivíduos (psiques, pessoas), grupos (etnias, sociedades) e idéias (culturas, utopias). Essa riqueza (tesouro) só pode ser usufruida se compreendermos (percebemos, reconhecermos, aceitarmos, assimilarmos) a unidade da espécie humana, sem negarmos (repudiarmos) essa multiplicidade. Ao contrário da "globalização", o ideal de uma civilização humana (unidade) não é a homogeneidade (individual ou coletiva), mas a diversidade.

Sigamos na conversa...
Oi Carla, Luiz e todos

Não se trata de dizer que somos pequenos diante de algo maior. Morin vem da linhagem filsofia que questiona o egocentrismo do indivíduo, trazido pela modernidade, diante, por exemplo da natureza. Voltando um pouco mais na História da filosofia, Espinosa disse que existe algo maior que o indivíduo, que ele chama algumas vezes de de substancia outras de natureza ou mesmo Deus. E nós, os indivíduos. somos parte da natureza, da mesma forma que os animiais e as plantas. Isso significa, na prática, que pensemos o meio ambiente como algo a ser dominado e consquistado pela superioridade do homem. É por aí que Morin fala que nós somos "minusculos" diante da algo bem maior, que é o Universo. A humanidade, segundo ele, é planetária e biosférica, é uma totalidade compexa, que é ao mesmo tempo física, biológica e antropológica. É o que os pré-socrático, e ele também, chamam de cosmo. E desse cosmo (unidade) nasce as diferenças, a diversidade. Morin defende a necessidade de reencontrarmos essa unidade, ou seja, a idéia do cosmo, para que as diferenças sejam reconhcidas e não apenas respeitadas ou toleradas. Daí as diferenças não se olhariam mais como rivais, inimigas e nem donas da verdade, prontas a aniquilar outras verdades. Desabrocharia aí, não mais a homogeneização, mas sim as diferenças, sem hierarquisas, dentro de algo bem maior, que é o cosmo. É por aí, acredito, que ele fala em religar a unidade ao diverso. É não confundir a unidade da espécie humana com a homogenização e o egocentrimso egoísta do indivíduo diante da natureza e do outro, do concebido negativamente como diferente. Espero não ter tornada esse debate complexo mas, para Morin, o pensamento é complexo.
Oi a todos

A interpretação que dou para essa frase é simples, não tem complexidade...a frase em si já é complexa! e particularmente isso me deixa "biruta"

"O tesouro da unidade humana é a diversidade = é como se fosse olhar para o sujeito/aluno/criança, como um ser único aceitando suas diferenças, viver em sociedade é viver com o que é diferente e isso proporciona uma riqueza muito grande para o desenvolvimento humano... e o tesouro da diversidade humana é a unidade" = como se a união faz a força, a unidade necessita do diferente para ser humano... é encontrar um equilíbrio na adversidade.

descobrir coisas novas e conviver com isso!

Gostei desse tópico, ainda sou pequena (me considero). Ao contrário da Carla não acho estranho "somos pequenos", estou em buscar de ser maior, enquanto isso faço pequenas observações.
Olá tod@s.

Para @s que têm interesse em conhecer melhor as idéias de Edgar Morin, lembro que já temos alguns de seus textos em nossa Biblioteca Digital.

Confiram lá:

Da Necessidade de um Pensamento Complexo - s/d
Para navegar no século XXI - Tecnologias do Imaginário e Cibercultura. 27 p. - 155 Kb.

Antropologia da liberdade - 1999
Conferência do sociólogo, filósofo e historiador. 14p. - 70 Kb

Os sete saberes necessários à educação do futuro - 2000
Texto completo, 115 p. – 363 kb

Educação e Cultura - 2002
Conferências de abertura e encerramento do seminário internacional, SESC/SP. 13 p. - 132 Kb.

A cabeça bem feita - 2003
Repensar a reforma. Reformar o pensamento. 121 p. – 749 kb

Saudações.
Olá Conspiradores,
ao blog, cheguei hoje, ainda estou em fase de adaptação ao espaço e de descoberta das pessoas, é quase mágico, pois descrevendo assim, parece o primeiro dia no Jardim de Infância (e que saudades!!), nas reuniões dos conspiradores, começamos ( eu e outras colegas da Escola) a participar desde o ano passado ( mas isto é uma outra história e faz parte da Docência Compartilhada, fica para outra vez...). Juntando o que li e já ouvi do próprio Morin, ao discurso e prática do profº José Pacheco, fico com o termo hologramático para definir as ideias filosóficas-educacionais do primeiro. Ser parte e ao mesmo tempo ser o todo; o todo está nas partes, isto, na minha opinião é a chave de poder pensarmos em outras maneiras de ensinar e aprender. Creio que quando Freire se refere a possibilidade de todos aprenderem e aprenderem sempre, é nesta visão hologramática que precisamos buscar a inspiração necessária.
Olá pessoal,

estou explorando o pnsamento do Edgar Morin. Acredito que quando Morin afirma que o "Tesouro da Humanidade é sua diversidade e o tesouro da diversidade é a unidade" , ele está se reportando ao fato de que como humanidade somos absolutamente iguais. Todos somos humanos sobre a face da Terra e, portanto, temos uma mesma configuração que vem ser, dois olhos, um nariz, duas orelhas, uma boca, braços, troncos e pernas. Essa é uma das várias perspectivas da unidade. Somos também um com o planeta, dependemos dele e o ele de nós. Somos Um só organismo vivo. No entanto, apesar de sermos iguais em configuração, não há um rosto igual ao outro. Muitas vezes até mesmo gêmeos univitelíneos possuem uma paricularidade, possui uma singularidade, pessoal e instransferível. Essa é a riqueza da Diversidade na Unidade. E, assim sendo, acredito que cada um tem uma contribuição única para dar à essa Humanidade e à esse Planeta.

Peço aqui humilde permissão para divulgar meu blog aqui em RC sobre "Espiritualidade nas Escolas". Estou conduzndo um projeto de insreção da disciplina de "Meditação nas Escolas" como parte do desenvlvimento da espiritualidade humana fora do conceito de crença, filosofia ou religião. Defendo que a espiritualidade é uma habilidade humana assimcomo o pensar e sentir, portanto, deve ser desenvovida nas escolas. Sei que é uma conspiração romântica mas... Todo o apoio será bem-vindo.

Comecei com uma experiência pr´tca e agora preciso fundamentar teóricamente a necessidade de uma inovação no currículo escolar atual para justificar meu projeto. Estou me fundamentando em Edgar MOrin. ALguém teria sugestão de outro autor acadêmico para me ajudar a defender a necessidae de tal inovação?!

Desde já muito grata,
Cláudia de Luca.

Responder à discussão

RSS

© 2014   Criado por Nilton Lessa.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço