Relacionado a Sociedade em Rede e Espaços Livres para Aprendizagem
“Você é o que você compartilha” em um infográfico | Gil Giardelli
http://www.gilgiardelli.com.br/blog/2012/08/06/voce-e-o-que-voce-co...
Você é o Que Você Compartilha
1a. edição, 2012
Gil Giardelli
Editora Gente
Este livro ajuda profissionais que querem entender e aproveitar tudo o que pode ser feito nesta era de muita tecnologia e compartilhamento a entrar neste mundo para aumentar seu valor e o do seu negócio.
http://livraria.folha.com.br/catalogo/1185091/voce-e-o-que-voce-com...
Publicado Terça-Feira, 07 de Agosto de 2012 15:29
Gil Giardelli lança "Você é o que você compartilha”
Livro aborda novas possibilidades proporcionadas pelo mundo digital
http://propmark.uol.com.br/mercado/41326:gil-giardelli-lanca-qvoce-...
Gil Giardelli, CEO da Gaia Creative, lança o livro "Você é o que você compartilha — E agora: como aproveitar as oportunidades de vida e trabalho na sociedade em rede”, no qual discorre sobre as novas possibilidades que se abrem com o mundo digital e comenta a respeito da era das informações, do compartilhamento e de como cada indivíduo se tornou protagonista desse universo. O autor receberá o público em uma noite de autógrafos nesta terça-feira (7), às 19h, na livraria Saraiva MegaStore do Shopping Morumbi, em São Paulo.
Tags: Espaços_livre_aprendizagem, Giardelli_Gil, Sociedade_em_rede
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http://www.youtube.com/watch?v=FiCRTkWKKd0
Este vídeo chamado We Think, feito pelo blog do Charles Leadbeater, explica de uma forma bem interessante como o compartilhamento de informações, conhecimentos e idéias constitui o processo criativo na era digital, o chamado Mass Inovation (Inovação em massa).
O conceito antigo "quanto mais cabeças pensam, melhor o resultado" é posto em prática de forma muito mais rápida e ágil através da web. Quer crescer? Então comparti-lhe (com seus amigos, família, conhecidos, empresa, com a Spin...)
Charles Leadbeater e as Ciências Humanas Digitais
Postado em 2012/06/03 por Guido Koller
http://wethink.hypotheses.org/24
Sobre
A ciência está cada vez mais sendo realizada em redes digitais. A web parece ser a plataforma ideal para combinar idéias e conhecimentos e, assim, criar coisas novas. A hitória de We think é sobre a criatividade das comunidades e discute oportunidades e riscos da participação virtual e do pensamento crítico, para as inovações, em ciências humanas.
Charles Leadbeater, We-think, Inovação em Massa, não Produção em Massa: O Poder da Criatividade em Massa, London, 2009 (Versão Atualizada)
Comentário em relação a humanidades digitais
Charles Leadbeater é uma autoridade em criatividade nas organizações, no mundo de língua inglesa. Em particular, ele trabalhou em estratégias de inovação centradas no conhecimento . Leadbeater é membro 'inter alia' do influente 'think tank' [grupo de pensadores] Demos- de Londres - e da Said Business School, da Universidade de Oxford. Ele é considerado um importante apoiador da Revolução Pro-Amadores. A questão que surge é a relevância de suas idéias para as ciências humanas digitais.
We-think é sobre a criatividade das massas e discute as abordagens participativas para inovações em ciência, economia e política. Fiel à sua visão Leadbeater, em 2006 publicou um rascunho de seu livro, em seu site, com o pedido de feedbacks, a versão definitiva em 2009, finalmente, incluíu 257 "co-autores". No entanto, seria enganoso, escreve ele, dizer que o livro é o produto de uma "atividade colaborativa". A preparação da versão final ocorreu entre ele e a editora. O "truque" está em encontrar o caminho certo para "combinar" os profissionais e os amadores. No final, isso lembra o produto de uma conversa orquestrada. A experiência de Leadbeater mostra o que pode ser o ciclo de vida de um livro, na sociedade da informação.
"Boulders" ["Rochas"?] como universidades ou bibliotecas ainda estão lá, mas o novo negócio é realmente "pedregulhos", diz Leadbeater: A Wikipedia é uma coleção enorme de seixos factuais, YouTube de seixos de vídeo, etc Mesmo a ciência está cada vez mais sendo realizada em redes digitais. A Internet é mais do que um instrumento - que liga os seixos. Ele ainda é jovem - mas os seus impactos, nos meios de comunicação, já são enormes: a derrubada da indústria da música, o declínio da indústria de jornais dos EUA, o rápido crescimento do Google. E isso é provavelmente apenas a ponta do iceberg. Nicholas Carr, Susan Greenfield e outros temem a perda de posição (status) de especialistas e instituições e queixam-se da cacofonia de opiniões e conhecimento superficial, na rede. Leadbeater confronta isto com a participação e o pensamento crítico. Otimistas prevêem ainda um novocomunitarismo: as comunidades "colaborativas" e menos hierárquica, nas quais o conhecimento e o poder são distribuídos de forma mais igualitária.
Leadbeater está certo: A rede tem a capacidade de criar uma inteligência coletiva de proporções extraordinárias. Quanto mais estamos ligados, todos ficamos mais ricos - de idéias, recursos, talentos - afirma. O que começou décadas atrás, com a troca de arquivos entre os cientistas, vai mudar a cultura global, nossos pensamentos e nossos relacionamentos. Na economia de idéias, nós somos o que compartilhamos. A web é a plataforma ideal para os grupos se auto organizarem, combinarem idéias e conhecimentos e, assim, criar coisas novas. We-think é baseado em três princípios: participação, reconhecimento e cooperação. A "moeda" real, o bônus para a cooperação, é o reconhecimento, diz Leadbeater.
A rede reviveu a organização e formas de cooperação pré-industriais, como a tradição de pools de recursos comuns ("commons"). Estes não são usados em excesso, se os utilizadores os gerenciam, eles próprios, o uso é fácil de monitorar e sanções, por razões de reputação, são eficazes. We think é tão poderoso, porque combina o velho e o novo, diz Leadbeater. É possível criar coisas complexas e ricas: enciclopédias, software, jogos, relatórios, teorias científicas, poemas. Isto requer um núcleo em torno do qual a comunidade é formada. Se ele estiver ausente ou os experimentos forem muito caros (em tempo e dinheiro), o feedback for muito lento, o processo for muito complexo e a comunidade for muito pequena, We think não funciona. O projeto deve ser atraente. As ferramentas necessárias para a participação devem ser fornecidas e as tarefas devem ser divididas em pedaços pequenos, em torno dos quais subequipes possam ser formadas. Ele precisa de regras claras para reunir novamente os módulos e deve haver uma revisão pelos pares para a garantia da qualidade dos seus resultados. Blogging, mesmo científicos, fazem parte do movimento We think, mas no outro extremo do espectro: um monte de participação, com pouca cooperação.
A inovação é tradicionalmente um processo linear e sequencial, a partir da invenção, para o desenvolvimento e dali para a aplicação - muito caro e improdutivo. We think abre, para a inovação, a dimensão de massa. Comunidades de código aberto proporcionam um quadro para discussões abertas, criativas, críticas e para resolver a tensão entre eficiência e inovação, melhor do que em corporações. A coordenação funciona através de objetivos comuns, da modularidade da produção e da avaliação do desempenho por pares. Comunidades de código aberto distribuem o trabalho entre eles próprios. We think se baseia na criação de normas e regras pelas quais os indivíduos possam assumir muitas responsabilidades sobre pequenos pedaços de produção. A organização moderna significa orquestrar conversações criativas.
We think altera acesso e organização das informações e vai abalar bibliotecas, jornais, editoras, etc., pesadamente. A British Library , por exemplo, está enfrentando alguns desafios importantes: o que recolher? Modernos meios de comunicação e informação são muito díspares. Como transmitir? Contra a concorrência do Google ninguém tem sucesso. Por outro lado, monografias mal utilizadas poderiam ser comunicadas. Portanto, a British Library digitaliza um grande conjunto de publicações, com a ajuda da Microsoft. Novas formas de parceria público-privada são abertas. A biblioteca digital irá funcionar como um sistema de compartilhamento de arquivos de instituições e grupos de usuários privados. Haverá bibliotecários Pro-Amadores e um novo relacionamento entre a instituição e seus clientes. A biblioteca do futuro é uma plataforma para a participação e a cooperação.
O experimento do livro de Leadbeater mostra o que poderia ser o novo ciclo de vida de um livro, na sociedade da informação. A questão então é: quem é seu autor e quem é seu gerente? We think é uma excitante, 'comida bem-vendida', para o pensamento, como muitos concordam. A notação líquida, pictórica, 'zeitgeist-compliant' ['de acordo com o espirito do momento'] disfarça que Leadbeater, basicamente, segue uma abordagem voltada para a tecnologia (para a mudança). Estão faltando - a partir da Europa continental e perspectiva histórica - fontes importantes: Michel Foucault, sobre a dissolução da unidade de autor e de trabalho (por favor veja meu post separado para isso), a Escola de Frankfurt sobre as condições sociais da inovação. No que diz respeito a direitos autorais e outras questões de direito, a discussão de modelos, tais como as licenças Creative Commons, é falha. A proteção da privacidade pessoal raramente é discutida. E mais: novas dependências são romantizadas, intituladas como "o reconhecimento como uma moeda para a participação". No entanto, a abordagem de Leadbeater fornece um importante impulso para o desenvolvimento das ciências humanas digitais que procuram modelos de investigação mais colaborativas. Muito do que Leadbeater previu em 2009, foi debatido e implementada na área de humanidades e ciências sociais - na Suíça por exemplo, infoclio.ch e na França, por exemplo, no revues.org e hypotheses.org (aplicações de edição aberta) . O desenvolvimento futuro vai ser interessante.
Tradução de:
Charles Leadbeater and the Digital Humanities
Posted on 06/03/2012 by Guido Koller
http://wethink.hypotheses.org/24
Charles Leadbeater, We-think, Mass innovation, not mass production: The Power of Mass Creativity, London, 2009 (Updated Version)
Review with respect to digital humanities
Charles Leadbeater is an authority on creativity in organizations in the English-speaking world. In particular he worked on knowledge-driven innovation strategies. Leadbeater is inter alia Member of the influential London think-tank Demos and the Oxford University’s Said Business School. He is considered an important supporter of the Pro-Am [ateur] revolution. The question arises as to the relevance of his ideas for the digital humanities.
We-think is about the creativity of the masses and discusses participatory approaches for innovations in science, economics and politics. True to his vision, Leadbeater in 2006 published a draft of his book on hisWebsite with the request for feedbacks, the definitive version in 2009 finally included 257 “co-authors”. Nevertheless, it would be misleading, he writes, to say that the book is the product of a “collaborative activity”. Preparing the final version took place between him and the publisher. The „trick” lies in finding the right way to “combine” professionals and amateurs. In the end, this resembles the product of an orchestrated conversation. Leadbeater’s experiment shows what could be the lifecycle of a book in the information society.
„Boulders“ like universities or libraries are still there, but the new business is really “pebbles”, Leadbeater says: Wikipedia is a huge collection of factual pebbles, YouTube of video pebbles, etc. Even science is increasingly held in digital networks. The Internet is more than an instrument – it links the pebbles. It is still young – but its impact in the media are already enormous: the overthrow of the music industry, decline of the U.S. newspaper industry, the rapid growth of Google. And that is probably just the tip of the iceberg. Nicholas Carr, Susan Greenfield and others fear the loss of the position of experts and institutions and complain about the cacophony of opinions and superficial knowledge in the net. Leadbeater sets this against the participation and critical thinking. Optimists predict even a new communitarianism: “collaborative” and less hierarchical communities, in which knowledge and power are distributed more egalitarian.
Leadbeater is certain: The net has the capacity to create a collective intelligence of extraordinary proportions. The more we are connected, all the richer – of ideas, resources, talents – we are, he says. What began decades ago with the exchange of files among scientists, will change the global culture, our thinking and our relationships. In the economy of ideas, we are what we share. The web is the ideal platform for groups to organize themselves, to combine ideas and knowledge and thus create new things. We-think is based on three principles: participation, appreciation and cooperation. The real „currency”, a bonus for cooperation is recognition, Leadbeater says.
The net revived pre-industrial organization and forms of cooperation such as the tradition of common resource pools (“commons”). These are not overused, if the users manage them themselves, the use is easy to monitor and sanctions for reasons of reputation are effective. We think is so powerful because it combines old and new, Leadbeater says. It can create complex, rich things: encyclopedias, software, games, reports, scientific theories, poems. This requires a nucleus around which the community is formed. If it is missing or experiments are too costly (in time and money), feedback is too slow, processes too complex and the community too small, We Think does not work. The project must be attractive. The necessary tools for participation must be provided and tasks must be divided into small chunks, around which subteams can be formed. It needs clear rules to bring together these modules again and a peer review for quality assurance of their results. Blogging, even scientific, is part of the We-Think-movement, but at the far end of the spectrum: a lot of participation, little cooperation.
Innovation is traditionally a linear, sequential process, from the invention to development and from there to the application – very expensive and unproductive. We think opens innovation the dimension of mass. Open source communities provide a framework for open, creative, critical discussions and resolve the tension between efficiency and innovation better than corporations. The coordination works over common goals, the modularity of the production and the evaluation of performance by peers. Open source communititesdistribute the work among themselves. We think relies on the creation of norms and rules by which individuals can take on many responsibilities for small bits of the production. Modern organization means to orchestrate creative conversations.
We think changes access and organization of information and will shaken libraries, newspapers, publishing houses etc. heavily. The British Library for example is facing some major challenges: what to collect? Modern media and information are very disparate. How to convey? Against the competition of Google no one succeeds. On the other hand, barely used monographs could be communicated. Therefore the British Librarydigitizes a lot of publications with the help of Microsoft. New forms of public-private partnership open up. The digital library will function as a file-sharing system of institutions and private user groups. There will be Pro-Am-librarians and a new relationship between the institution and its customers. The library of the future is a platform for participation and cooperation.
Leadbeater‘s book experiment shows what could be the new Life Cycle of a book in the information society. The question then is: who is its author and who its manager? We thinkis an exciting, well-sold food for thought, as many agree. The liquid, pictorial, zeitgeist-compliant notation disguises that Leadbeater basically follows a technology-driven approach (for change). There are missing – from continental European and historical perspective – important sources: Michel Foucault for the dissolution of the unity of author and work (please see my separate post to that), the Frankfurt School for the social conditions of innovation. With regard to copyright and other law issues, the discussion of models such as the creative commons licenses is lacking. The protection of personal privacy is hardly discussed. And: New dependencies are romanticized, entitled as “recognition as a currency for participation”. Nevertheless, Leadbeater’s approach provides an important impetus for the development of the digital humanities who seek more collaborative research models. Much of what Leadbeater predicted 2009, is debated and implemented in the field of humanities and social sciences – in Switzerland for example by infoclio.ch and in France for example in the Open-Edition-applications revues.org and hypotheses.org. The further development will be interesting.
Charles Leadbeater: Somos o que partilhamos
http://timedicina.blogspot.com.br/2009/11/charles-leadbeater-somos-...

Grato ao Sérgio Storch por esta dica, relacionada aos relacionamentos em Redes Sociais. As aprendizagens de convivência.
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Martin Buber (Viena, 8 de Fevereiro de 1878 - Jerusalém, 13 de Junho de 1965) era filósofo, escritor e pedagogo, judeu de origem austríaca, e de inspiração sionista. Tinha educação poliglota: em casa aprendeu ídiche e alemão, na escola hebraico, francês e polonês. Sua formação universitária se deu em Viena.
Em suas publicações filosóficas, deu ênfase a sua ideia de que não há existência sem comunicação e diálogo, e que os objetos não existem sem que haja uma interação com eles. As palavras-princípio, Eu-Tu (relação), Eu-Isso (experiência), demonstram as duas dimensões da filosofia do diálogo que, segundo Buber, dizem respeito à própria existência.
O homem nasce com a capacidade de interrelacionamento com seu semelhante, ou seja, a intersubjetividade. Intersubjetividade é a relação entre sujeito e sujeito e/ou sujeito e objeto. O relacionamento, segundo o filósofo Martin Buber, acontece entre o Eu e o Tu, e denomina-se relacionamento Eu-Tu. A interrrelação segundo Martin Buber, envolve o diálogo, o encontro e a responsabilidade, entre dois sujeitos e/ou a relação que existe entre o sujeito e o objeto. Intersubjetividade é umas das áreas que envolve a vida do homem e, por isso, precisa ser refletida e analisada pela filosofia, em especial pela Antropologia Filosófica.
http://www.eternoretorno.com/2010/03/04/eu-e-tu-martin-buber/
Martin Buber tem um “estranho e misterioso” (não pelo conteúdo, mas pela forma como Buber escreveu) livro que dificilmente se consegue captar pelo “sujeito do conhecimento”, exigindo do leitor uma relação com o conteúdo que se expressa pela expressão linguística que parece não fazer sentido com a dimensão vivencial do homem com o mundo (e as coisas) e do homem com o mundo. Essa pequena maravilha chamada “Eu e Tu”, representa uma das poucas obras que considero capitais no sentido de me fornecer nutritivo alimento para conseguir enfrentar a imprevisibilidade de uma relação terapêutica onde até então costumava temer adotar uma postura mais técnica-profissional do que humana. Em tempo, costuma ser esses personagens “desconhecidos” que a Psicologia em sua delinquência inicial de encontrar a “métrica do psicológico” tratou de escondê-los – em alguns casos acusando-os até mesmo de insanos -, que costumo encontrar mais “realidades”: Reich, Buber, Viktor Frankl, Rogers, Moreno… todos eles me ensinaram muito, não nos concordamos é certo, mas partilhamos de pontos em comuns e pontos divergentes que se atualizam para uma compreensão mais complexa que não se deixa reduzir à fórmulações.
Não me arriscaria a dizer do que se trata essa obra de Buber através de um texto. Penso que ela nos permite uma compreensão muito mais profunda que se dá muito mais pelo silêncio e pela experiência de estar presenciando e sentindo aquilo que Buber parece querer “mostrar” do que algumas páginas explicativas sobre a obra – o que não deixa de ser necessário e ter suas possibilidades.
Se algumas palavras servirem como convite para a leitura desse livro que pode nos trazer novas auroras, diria mentirosamente que nele Buber nos fala da existência do homem que se dá num mundo que se revela como múltiplo, o que nos provoca atitudes múltiplas. Tomando atitude como um ato ontológico no esteio das palavras, com a linguagem, cada atitude é atualizada por uma das “palavras-princípio” que Buber desenvolve: Eu-Tu ou Eu-Isso. Decorre daí uma primordial relação dual do homem com o mundo que é, basicamente, ser-em-relação para aquela e ser-em-experiência para esta. Cada uma dessas atitudes fundamentam um modo de existir e não são atitudes que se escolhe isoladamente, mas se processam no modo dual da relação do Ser.
Ao leitor mais centrado em buscar os significados seguindo o curso das palavras a leitura pode não fazer nenhum sentido. Buber não nos oferece significados nem palavras prontas, primordial em seu pensamento é a relação e o diálogo de uma atitude existencial face-a-face, onde se admite uma zona de silêncio como necessidade de abertura para a compreensão. E talvez seja menos importante se preocupar com o que cada página do livro está querendo dizer do que suavemente conseguir chegar ao “término” dessa obra, onde aí então uma compreensão mais vigorosa poderá surgir. O “Eu” com o “Tu” ou o “Isso” não assustam muito se olhamos com certo distanciamento para o “nome” e nos aproximarmos mais do relacionamento, do diálogo, do encontro, da responsabilidade e da presença enquanto atitudes intersubjetivas que fundamentam modos de ser.
As vivências de relação do homem primitivo não eram certamente doces complacências; mas é melhor a violência sobre um ente realmente vivenciado, do que a solicitude fantástica para com números sem face.
O mundo do ISSO é coerente no espaço e no tempo.
O mundo do TU não tem coerência nem no espaço nem no tempo.
Cada TU, após o término do evento da relação deve necessariamente se transformar em ISSO.
Cada ISSO pode, se entrar no evento da relação, tornar-se um TU.
(…)
E com toda a seriedade da verdade, ouça: o homem não pode viver sem o ISSO, mas aquele que vive somente com o ISSO não é homem.
[Buber, M. Eu e Tu. Editora Moraes: 1974. Tradução de Newton Aquiles Von Zuber.]
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